segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Pelos Teus Olhos

Gosto de cruzar-me contigo.
Sei da minha transparência. Tenho plena consciência da minha invisibilidade. E ainda assim o teu olhar toca-me de cada vez que nos encontramos.
Pode parecer doido, estúpido ou pura e simplesmente ridículo... mas conheço esse olhar tão bem que quase o tomo como familiar. Quase o encaro como intencional, como se se cruzasse efectivamente com o meu. Eu sei, sei que é apenas por força de o rever mentalmente... Muitas vezes... Tantas vezes! Mas conforta-me o sabor doce e quente desta mentira.
"Já nos cruzámos tantas vezes. Já tantas vezes nos passeámos pelos mesmos trilhos. Já tropeçámos vezes sem conta nas mesmas pedras..."
Assim começa e termina a minha insanidade. Assim me alegro na minha loucura.
Quero tanto. Peço tanto.
Mas acredita quando te digo que nunca o quis. Nunca foi desejo meu prender-me assim na essência de alguém. Nunca quis encontrar-me nos teus olhos. Quiçá loucura, mas encontrei.
Sei que parece fútil (mas só hoje tomei consciência disso). Sei que parece infantil (também nunca compreendi ideias similares a esta que, correndo o risco de loucura, tomo como minha). Mas tudo faz muito mais sentido quando olhado sob a luz desses teus olhos. Tão fundos. Tão grandes. Tão complexos. Perco-me. Essencialmente neles mas também a questionar-me sobre quem serás. Sobre o que te dará o poder de tocar-me assim.
Sinto-me vulnerável. Cruzas-me os muros. Invades-me. Impões-me sorrisos. Despes-me. Ainda assim nunca me afasto da consciência de ser transparente. De ser um mero acessório do meio que te envolve. Ou uma sombra. Ou nada disso. Ou nada.
Quero. Quero falar-te. Quero descobrir-te. Quero que esse olhar que me hipnotisa e me rouba a razão reflicta o meu. Quero falar. Contar-te da minha demência. Quem sabe queira desmistificar-te. (ou talvez não, talvez queira apenas reiterar uma razão que sei que não tenho... pelo menos ainda)
Odeio procurar-te. Sinal de que não te encontro. Sinal de que a vã felicidade de ser ou estar nºao chega.
Quero mais. Descobrir-te? Sem dúvida! Quero. Quero saber-te as palavras, conhecer-te o riso, ler-te o olhar. Quero mais que perder-me nele. Quero encontrar-te. Quero saber-te mais que o jeito de andar. Quero saber-te a alma.
Desculpa se a loucura assusta. Desculpa se não soube retrair-me como deveria. Despi-me. Deixei à porta os preconceitos, a imagem, a superficialidade. Demente? Sem dúvida! Conscientemente. Mergulhei pela primeira vez na minha incoerência e não me perdi, não me afoguei por ter negado o peso das correntes que poderiam limitar-me. Fui. Existi. Respirei. Voltei à superficie do que sou abalada pela pressão e a tremer do esforço. Mas sorrio. Explorei o medo. Expus-me. E tudo isso pelos teus olhos.

sábado, 18 de outubro de 2008

Loucura

Deixa...
Deixa que te toque... Deixa-me descobrir os segredos no relevo do teu corpo... Deixa que te beije enquanto dormes... Enquanto o cheiro do amor que fizemos ainda povoa a pele que, de tão chegada, já é una... Shhh... Não digas nada... Sei como mentem as palavras com que te justificas... Peço-te, não digas nada. Olha-me, beija-me, toca-me, tem-me... Tudo menos impor-me as doces mas falsas verdades com que massajas a culpa...
Eu sei que não podes ficar... Sei exactamente para onde vais. Sei que a sociedade que culpas não tem sequer noção dos crimes de que a acusas. Segurança. Foi tudo o que o teu perfeccionismo conquistou. Uma pequena e falsa sensação de segurança. "Somos uma montanha russa". Sim, tens razão, somos. Mas somos tão concretos como o vento que, não podes negar, existe.
Beija-me.. Gosto quando o fazes assim... demoradamente. Shhh... Embala os sentidos no movimento dos corpos. Para quê mentir com palavras se o fazes tão bem com o sexo? Por momentos, quase acredito que estás ali... Que acordarei contigo a meu lado. Sim, já sei, não passo de uma sonhadora. Nisso sempre concordei contigo. Mesmo quando tentava convencer-me de que eu é que tinha razão... De que simplesmente não o tinhas descoberto ainda. Até menti com convicção mas nunca acreditei em mim. Sei que não ficas. Sei que não dormes mais do que uma noite. Sei que os planos que sonhei para nós são tão densos e constantes como o fumo leve de um cigarro. Às vezes rezo para que vás... Para que aprendas a dizer adeus. Para que não mais me queiras. Irritas-me tanto! Nunca to disse mas és insuportável. Odeio como cedo a tudo perante esse olhar doce. Odeio como me deixas louca de prazer. Odeio querer-te como te quero. Odeio cada desejo, cada toque, cada orgasmo. És cruel. Quase saboreio a insanidade quando estou contigo. E sabes o que mais odeio? O que mais odeio é que adoro. É que esse balançar de maré agitada quase se tornou o meu viver.
Não. Hoje não. Hoje não vou percorrer-te mais com os dedos. Hoje vou virar o olhar para a janela. Não vou conhecer-te com beijos. Não vou passear a língua na tua pele. Não. Hoje não. Hoje não vou pedir-te que fiques. Não vou embebedar-me de ti. Não mais vou deixar que me possuas. Não vou desejar-te.
Vai. Hoje rezo para que vás. Hoje canto a liberdade excruciante de não te ter aqui. Mas canto. Vai, peço-te, não demores. Não olhes para trás, não sorrias, não abandones perfume no corredor.
Esfuma-te. Leva tudo o que és e vai. No caminho leva também tudo o que sou. Não sobrou nada que não te pertença. VAI!
Suspiro. Olho-te mais uma vez e odeio enternecer-me com o teu rosto repousado de quem dorme tranquilo. Não quero acordar-te. Mas sei que hei-de despertar-te com beijos e carícias quando não mais puder acorrentar este ímpeto de te querer. Shhh... Não digas nada. "Dorme", digo suavemente. Sorris. Odeio quando mentes desta forma. Mas amo-te. Pelo menos até amanhã de manhã.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Come Home (One Republic)


Hello world
Hope you're listening
Forgive me if I'm young
For speaking out of turn
There's someone I've been missing
I think that they could be
The better half of me
They're in their own place trying to make it right
But I'm tired of justifying
So i say you'll...


Come home
Come home
Cause I've been waiting for you
For so long
For so long
And right now there's a war between the vanities
But all i see is you and me
The fight for you is all I've ever known
So come home
Oooh


I get lost in the beauty
Of everything i see
The world ain't as half as bad
As they paint it to be
If all the sons
If all the daughters
Stopped to take it in
Well hopefully the hate subsides and the love can begin
It might start now..Yeahh
Well maybe I'm just dreaming out loud
Until then



Come home
Come home
Cause I've been waiting for you
For so long
For so long
And right now there's a war between the vanities
But all i see is you and me
The fight for you is all I've ever known
Ever known
So come home
Oooh



Everything i can't be
Is everything you should be
And that's why i need you here
Everything i can't be
Is everything you should be
And that's why i need you here
So hear this now



Come home
Come home
Cause I've been waiting for you
For so long
For so long
And right now there's a war between the vanities
But all i see is you and me
The fight for you is all I've ever known
Ever known
So come home
Come home




(Forgive me if I'm dreamin' out loud...)

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Casa

Chego a casa cansada e agitada. Tudo lá fora é rápido e insípido.
Chego. Pouso os livros na mesa da cozinha e atiro levemente as chaves para a bancada. Paro e respiro. É tudo tão diferente dentro destas quatro paredes. Reparo no teu casaco, pousado despreocupadamente sobre o sofá. Sorrio. Já estás em casa e essa simples noção preenche-me e acalenta-me os sentidos. Acendo as nossas velas habituais. Respiro novamente, desta vez lenta e profundamente. Estás sentado à secretária, calmo e compenetrado, metódico e absorto como sempre me lembro de ver-te quando estás aí. Chego por trás e abraço-te. Não te vejo o rosto mas sei como sorris. Adivinho até o brilho doce do teu olhar. Conforto. É tudo o que sinto. Finalmente sinto-me em casa. Não importa onde estejamos este abraço será sempre a minha casa. E sei que sentes o mesmo sem precisar que o reiteres constantemente. Tu sabes cantá-lo a cada gesto, a cada olhar... Giras a cadeira e beijas-me ao de leve. Olhas-me nos olhos e, agora sim, vejo o teu sorriso. Estás cansado e, ainda assim, noto-te a felicidade nas linhas do rosto. Abraço-te de novo e deixo-me perder no calor do teu corpo. Um segundo apenas, sem fugir à realidade. Beijo-te de novo, demoradamente. E deixo-te entregue ao trabalho que te prende. "Não demores", peço-te. Acenas afirmativamente com a cabeça e denoto satisfação no teu olhar. Pouso-te a caneca na secretária. Um agrado que só eu sei como aprecias. Dirijo-me ao quarto, sem pressas. Ponho música a tocar suavemente e tiro a roupa numa coreografia já diária e despreocupada. Entro no banho, quente, e deixo-me embalar pela melodia dos sentidos. Demoro-me desnecessariamente, apenas pelo prazer do momento. E então sinto-te. Hesitante e envergonhado, pretendendo juntar-te a mim. Sorrio interiormente. Como te conheço. "Vem", murmuro. Coras e ficas atrapalhado. Não tencionava encabular-te, sabes isso. E então chegas, leve e suave como só tu sabes ser. E abraças-me com uma profundidade inenarrável. "Amo-te" repetes-me ao ouvido, "Amo-te". E nunca essa palavra foi tão repleta de significado como naquele momento em que me abraças.