Gosto de cruzar-me contigo.
Sei da minha transparência. Tenho plena consciência da minha invisibilidade. E ainda assim o teu olhar toca-me de cada vez que nos encontramos.
Pode parecer doido, estúpido ou pura e simplesmente ridículo... mas conheço esse olhar tão bem que quase o tomo como familiar. Quase o encaro como intencional, como se se cruzasse efectivamente com o meu. Eu sei, sei que é apenas por força de o rever mentalmente... Muitas vezes... Tantas vezes! Mas conforta-me o sabor doce e quente desta mentira.
"Já nos cruzámos tantas vezes. Já tantas vezes nos passeámos pelos mesmos trilhos. Já tropeçámos vezes sem conta nas mesmas pedras..."
Assim começa e termina a minha insanidade. Assim me alegro na minha loucura.
Quero tanto. Peço tanto.
Mas acredita quando te digo que nunca o quis. Nunca foi desejo meu prender-me assim na essência de alguém. Nunca quis encontrar-me nos teus olhos. Quiçá loucura, mas encontrei.
Sei que parece fútil (mas só hoje tomei consciência disso). Sei que parece infantil (também nunca compreendi ideias similares a esta que, correndo o risco de loucura, tomo como minha). Mas tudo faz muito mais sentido quando olhado sob a luz desses teus olhos. Tão fundos. Tão grandes. Tão complexos. Perco-me. Essencialmente neles mas também a questionar-me sobre quem serás. Sobre o que te dará o poder de tocar-me assim.
Sinto-me vulnerável. Cruzas-me os muros. Invades-me. Impões-me sorrisos. Despes-me. Ainda assim nunca me afasto da consciência de ser transparente. De ser um mero acessório do meio que te envolve. Ou uma sombra. Ou nada disso. Ou nada.
Quero. Quero falar-te. Quero descobrir-te. Quero que esse olhar que me hipnotisa e me rouba a razão reflicta o meu. Quero falar. Contar-te da minha demência. Quem sabe queira desmistificar-te. (ou talvez não, talvez queira apenas reiterar uma razão que sei que não tenho... pelo menos ainda)
Odeio procurar-te. Sinal de que não te encontro. Sinal de que a vã felicidade de ser ou estar nºao chega.
Quero mais. Descobrir-te? Sem dúvida! Quero. Quero saber-te as palavras, conhecer-te o riso, ler-te o olhar. Quero mais que perder-me nele. Quero encontrar-te. Quero saber-te mais que o jeito de andar. Quero saber-te a alma.
Desculpa se a loucura assusta. Desculpa se não soube retrair-me como deveria. Despi-me. Deixei à porta os preconceitos, a imagem, a superficialidade. Demente? Sem dúvida! Conscientemente. Mergulhei pela primeira vez na minha incoerência e não me perdi, não me afoguei por ter negado o peso das correntes que poderiam limitar-me. Fui. Existi. Respirei. Voltei à superficie do que sou abalada pela pressão e a tremer do esforço. Mas sorrio. Explorei o medo. Expus-me. E tudo isso pelos teus olhos.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
sábado, 18 de outubro de 2008
Loucura
Deixa...
Deixa que te toque... Deixa-me descobrir os segredos no relevo do teu corpo... Deixa que te beije enquanto dormes... Enquanto o cheiro do amor que fizemos ainda povoa a pele que, de tão chegada, já é una... Shhh... Não digas nada... Sei como mentem as palavras com que te justificas... Peço-te, não digas nada. Olha-me, beija-me, toca-me, tem-me... Tudo menos impor-me as doces mas falsas verdades com que massajas a culpa...
Eu sei que não podes ficar... Sei exactamente para onde vais. Sei que a sociedade que culpas não tem sequer noção dos crimes de que a acusas. Segurança. Foi tudo o que o teu perfeccionismo conquistou. Uma pequena e falsa sensação de segurança. "Somos uma montanha russa". Sim, tens razão, somos. Mas somos tão concretos como o vento que, não podes negar, existe.
Beija-me.. Gosto quando o fazes assim... demoradamente. Shhh... Embala os sentidos no movimento dos corpos. Para quê mentir com palavras se o fazes tão bem com o sexo? Por momentos, quase acredito que estás ali... Que acordarei contigo a meu lado. Sim, já sei, não passo de uma sonhadora. Nisso sempre concordei contigo. Mesmo quando tentava convencer-me de que eu é que tinha razão... De que simplesmente não o tinhas descoberto ainda. Até menti com convicção mas nunca acreditei em mim. Sei que não ficas. Sei que não dormes mais do que uma noite. Sei que os planos que sonhei para nós são tão densos e constantes como o fumo leve de um cigarro. Às vezes rezo para que vás... Para que aprendas a dizer adeus. Para que não mais me queiras. Irritas-me tanto! Nunca to disse mas és insuportável. Odeio como cedo a tudo perante esse olhar doce. Odeio como me deixas louca de prazer. Odeio querer-te como te quero. Odeio cada desejo, cada toque, cada orgasmo. És cruel. Quase saboreio a insanidade quando estou contigo. E sabes o que mais odeio? O que mais odeio é que adoro. É que esse balançar de maré agitada quase se tornou o meu viver.
Não. Hoje não. Hoje não vou percorrer-te mais com os dedos. Hoje vou virar o olhar para a janela. Não vou conhecer-te com beijos. Não vou passear a língua na tua pele. Não. Hoje não. Hoje não vou pedir-te que fiques. Não vou embebedar-me de ti. Não mais vou deixar que me possuas. Não vou desejar-te.
Vai. Hoje rezo para que vás. Hoje canto a liberdade excruciante de não te ter aqui. Mas canto. Vai, peço-te, não demores. Não olhes para trás, não sorrias, não abandones perfume no corredor.
Esfuma-te. Leva tudo o que és e vai. No caminho leva também tudo o que sou. Não sobrou nada que não te pertença. VAI!
Suspiro. Olho-te mais uma vez e odeio enternecer-me com o teu rosto repousado de quem dorme tranquilo. Não quero acordar-te. Mas sei que hei-de despertar-te com beijos e carícias quando não mais puder acorrentar este ímpeto de te querer. Shhh... Não digas nada. "Dorme", digo suavemente. Sorris. Odeio quando mentes desta forma. Mas amo-te. Pelo menos até amanhã de manhã.
Deixa que te toque... Deixa-me descobrir os segredos no relevo do teu corpo... Deixa que te beije enquanto dormes... Enquanto o cheiro do amor que fizemos ainda povoa a pele que, de tão chegada, já é una... Shhh... Não digas nada... Sei como mentem as palavras com que te justificas... Peço-te, não digas nada. Olha-me, beija-me, toca-me, tem-me... Tudo menos impor-me as doces mas falsas verdades com que massajas a culpa...
Eu sei que não podes ficar... Sei exactamente para onde vais. Sei que a sociedade que culpas não tem sequer noção dos crimes de que a acusas. Segurança. Foi tudo o que o teu perfeccionismo conquistou. Uma pequena e falsa sensação de segurança. "Somos uma montanha russa". Sim, tens razão, somos. Mas somos tão concretos como o vento que, não podes negar, existe.
Beija-me.. Gosto quando o fazes assim... demoradamente. Shhh... Embala os sentidos no movimento dos corpos. Para quê mentir com palavras se o fazes tão bem com o sexo? Por momentos, quase acredito que estás ali... Que acordarei contigo a meu lado. Sim, já sei, não passo de uma sonhadora. Nisso sempre concordei contigo. Mesmo quando tentava convencer-me de que eu é que tinha razão... De que simplesmente não o tinhas descoberto ainda. Até menti com convicção mas nunca acreditei em mim. Sei que não ficas. Sei que não dormes mais do que uma noite. Sei que os planos que sonhei para nós são tão densos e constantes como o fumo leve de um cigarro. Às vezes rezo para que vás... Para que aprendas a dizer adeus. Para que não mais me queiras. Irritas-me tanto! Nunca to disse mas és insuportável. Odeio como cedo a tudo perante esse olhar doce. Odeio como me deixas louca de prazer. Odeio querer-te como te quero. Odeio cada desejo, cada toque, cada orgasmo. És cruel. Quase saboreio a insanidade quando estou contigo. E sabes o que mais odeio? O que mais odeio é que adoro. É que esse balançar de maré agitada quase se tornou o meu viver.
Não. Hoje não. Hoje não vou percorrer-te mais com os dedos. Hoje vou virar o olhar para a janela. Não vou conhecer-te com beijos. Não vou passear a língua na tua pele. Não. Hoje não. Hoje não vou pedir-te que fiques. Não vou embebedar-me de ti. Não mais vou deixar que me possuas. Não vou desejar-te.
Vai. Hoje rezo para que vás. Hoje canto a liberdade excruciante de não te ter aqui. Mas canto. Vai, peço-te, não demores. Não olhes para trás, não sorrias, não abandones perfume no corredor.
Esfuma-te. Leva tudo o que és e vai. No caminho leva também tudo o que sou. Não sobrou nada que não te pertença. VAI!
Suspiro. Olho-te mais uma vez e odeio enternecer-me com o teu rosto repousado de quem dorme tranquilo. Não quero acordar-te. Mas sei que hei-de despertar-te com beijos e carícias quando não mais puder acorrentar este ímpeto de te querer. Shhh... Não digas nada. "Dorme", digo suavemente. Sorris. Odeio quando mentes desta forma. Mas amo-te. Pelo menos até amanhã de manhã.
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